SER OU NÃO SER AMADO … 
EIS A GRANDE QUESTÃO DO SER HUMANO

Autor: Dr. Matheus Marim
 

Se a Homeopatia fosse chamada para dar uma resposta  sobre o que é Ser humano responderia, através do exercício da clínica, que Ser humano significa necessidade de Ser amado.

Amores e desamores!  A Homeopatia, também denominada Clínica da Similitude é, fundamentalmente, a clínica dos amores e desamores.

Não que a Homeopatia já houvesse nascido com esse objetivo, o de tratar desamores, mas simplesmente porque, após mais de duzentos anos de estudo e prática, revelou-se portadora dessa virtude.  Decorre isso do fato de o medicamento homeopático, ao mobilizar o humano como o Ser unitário que é, evidencia o corpo e a mente sofrendo juntos.

Ao pesquisarmos um pouco mais profundamente o porque adoecemos encontramos sempre, nas origens das nossas desarmonias, uma situação afetiva que envolve o “Ser ou não Ser amado”.  Um amor não correspondido, um afeto esperado e não recebido, um desamor declarado ou sutil, uma perda afetiva, sempre, do bebê ao idoso, o sofrimento afetivo que envolve o ser ou não ser amado desencadeia, no humano, um movimento desarmônico que se mostrará pelos sintomas do assim chamado adoecer.

Adoecer para não morrer!  Parece loucura mas esse é um dos grandes aforismos da medicina, compreender que a doença é tão necessária à vida quanto à saúde.  O adoecer, em sua origem, instala-se na raiz de um desamor e o sofrimento psíquico, para evitar destruir o Ser em seu sofrimento, socorre-se do corpo para que o sistema se mantenha vivo.  Algumas vezes o sofrimento é tão profundo que a única saída percebida pelo doente é a morte, a destruição do sistema.  Isso é tão forte que em alguns cursos de orientação para evitar doenças gravíssimas (entre elas o câncer), recomenda-se às pessoas treinamentos para jamais esperarem amar ou serem amadas, ou seja, viverem na mais completa indiferença afetiva (o que sem dúvida as levará a outros adoeceres).

É claro que todos nascemos com uma considerável carga genética que nos predispõe às doenças.  Nascemos predispostos às alergias, às inflamações, às doenças degenerativas, etc., e todas essas possibilidades de doenças tanto mais cedo se manifestarão e tanto mais agressivas e resistentes aos tratamentos serão quanto maior for o desamor que as tirar de seus estados de latência.  E é por isso que cada um de nós adoece ao seu jeito, à sua forma, de acordo à sua qualidade de resposta ao desamor.

Para tratar pela Homeopatia, primeiro estudamos esse Ser único e irrepetível, portador também de um sofrimento e de uma história única e irrepetível (embora possam ser semelhantes a outros sofrimentos e histórias de outros humanos) para procurar compreender como se instalou a desarmonia que o caracteriza como doente.  Às mazelas que se estruturaram a partir desse sofrimento denominamos doenças.  A Homeopatia cuida pois de harmonizar o doente com suas doenças e não tratar apenas às doenças de um doente, esquecendo sua propriedade de ser um Ser unitário, mente e corpo em sofrimento uníssono e indissociável.

Homeopatia é uma palavra que tem origem em duas outras palavras da língua grega:  “homeos” que quer dizer semelhante e “pathos” que significa, escolha, caminho, sofrimento.  Portanto, tratar com Homeopatia significa utilizar medicamentos que tenham a capacidade de produzir em humanos sadios sofrimentos semelhantes aos experimentados pelos humanos doentes.  Sofrimentos sempre semelhantes, nunca iguais, uma vez que o seres são únicos e irrepetíveis.

Para conhecer as virtudes homeopáticas das substâncias os pesquisadores as experimentam em humanos considerados saudáveis, ou seja, humanos saudáveis são temporariamente levados ao estado de doentes para poderem informar sobre os sofrimentos e sintomas que as substâncias podem provocar.

Uma vez bem conhecidos os sofrimentos e sintomas provocados por uma determinada substância em humanos saudáveis a ela denominaremos medicamento.  Este poderá ser utilizado como remédio homeopático para tratar humanos doentes que apresentem sofrimentos e sintomas semelhantes aos apresentados na experimentação em humanos saudáveis.

Cada medicamento homeopático estocado nas farmácias é portador de uma diferente informação sobre o adoecer, sobre os caminhos e desarmonias que conseguem produzir em humanos saudáveis.

Farmacologicamente o medicamento homeopático consiste em uma solução de água e álcool que pode ser utilizado em sua forma pura para o tratamento ou impregnar glóbulos de sacarose ou comprimidos de lactose preparados de acordo à farmacotécnica homeopática que é única.   As soluções de água e álcool são então trabalhadas para armazenarem apenas a informação proveniente de cada substância que será retida nas pontes de hidrogênio das soluções, sem necessidade de qualquer molécula da substância original.

Ao tocar qualquer parte do corpo do doente o medicamento homeopático imediatamente comunica ao organismo a informação adoecer semelhante ao seu sofrimento.  Em havendo semelhança entre o sofrimento provocado pelo medicamento em humanos saudáveis e o sofrimento vivenciado pelo doente, estabelecer-se-á uma condição de ressonância entre as pontes de hidrogênio dos dois sistemas e a partir daí o organismo doente inicia seu movimento em direção a um melhor estado de saúde, mais harmonioso, com melhor equilíbrio.

Percebe-se o início desse movimento e sua qualidade de instantâneo, analisando-se a variação percebida na qualidade dos pulsos carotídeos e radiais do doente, assim como a variação na pressão parcial de oxigênio sanguínea.

Diz-se que o medicamento homeopático atua muito lentamente.  Isso não é verdade!  O tempo de ação do medicamento homeopático é de uma fração de segundo, é o tempo de uma palavra.  Em fração de segundo uma palavra que rouba o amor nos fere e passamos às vezes, a vida toda, adoecidos por causa daquele momento.  Em fração de segundo o medicamento homeopático comunica a informação adoecer nele contida, mas a velocidade com que os organismos respondem é variável, independe da vontade do médico e do doente, a resposta está relacionada à história do adoecer.

Podemos comparar o medicamento homeopático ao regente de uma grande orquestra.  Pela sua qualidade de veicular informação seu único trabalho será reger a orquestra, não tocará qualquer instrumento.  Não ocupará receptores de ordem bioquímica porque sua qualidade está mais para físico-química, etc.

O  objetivo  da  Homeopatia é ajudar o Ser a completar o seu adoecer sem que ele se destrua, é ajudá-lo a transformar-se no sujeito de sua própria vida.  Completado o adoecer, as doenças podem desaparecer ou, dependendo de sua qualidade (incurabilidade por exemplo), pode estabelecer-se uma condição de equilíbrio entre o doente e sua doenças, que não cause sofrimento.  Em qualquer dessas condições, após revisitar todos os seus núcleos de sofrimentos o Ser ressurge redimensionado, reorganizado, rearmonizado, resubjetivado.

Para completar esse adoecer inúmeros eventos ocorrem durante o tratamento homeopático, são eventos que informam sobre o movimento curativo iniciado após a informação semelhante recebida pelo sistema e que não devem ser interrompidos sob o risco de, ao impedir o livre fluxo curativo instituído pelo organismo, percamos a oportunidade de chegar ao pondo de equilíbrio possível daquele sistema.

A chamada agravação homeopática, a temida piora dos sintomas que ocorre após o início do tratamento, significa que até aquele momento o doente não tivera condições de completar o seu adoecer e agora, em resposta à informação veiculada pelo remédio homeopático, mobiliza-se com maior vitalidade para completar e fechar a condição de doença.

Os momentos agudos durante o tratamento também sinalizam para essa reordenação e sempre se revestem de uma intencionalidade curativa, ou seja, aparecem para drenar as tensões psíquicas que estão se estruturando.   Permitir que eles aconteçam, sem suprimi-los, é da maior importância para o sistema atingir seu equilíbrio.

Outras situações surgem sinalizando também para o movimento positivo desencadeado pelo organismo doente.  Assim, o retorno de antigos sintomas tanto de ordem física como emocional, esparsos ou inseridos em antigas situações de doenças repetem os caminhos do adoecer.    As eliminações via erupções em pele, diarréias, expectorações, corrimentos, etc., também informam que o organismo está revisitando-se, revendo seus caminhos e completando situações de adoecer que não ficaram concluídas.  Nesse revisitar-se  o inconsciente também se manifesta através dos sonhos, atos falhos, etc.  sinalizando onde o trabalho psíquico está acontecendo, em que fase da vida o Ser está se revendo.

Entenda-se pois que a Homeopatia não trata as doenças, mas sim o ser humano que as porta.  A Homeopatia tem potencial para ajudar e tratar a todos os doentes quaisquer que sejam as doenças, isso porque não é o remédio homeopático que trata,  ele apenas informa ao organismo sobre os caminhos do novo equilíbrio.  O medicamento informa, o organismo faz.  A Homeopatia devolve o poder ao ser, objetivando torná-lo sujeito em sua vida.

Texto Dr. Matheus Marim